Durante a cobertura da nossa equipe no AnimeUP 2010, entrevistamos os dubladores Gilberto e Hermes Baroli, que deram um show de carisma e simpatia, tanto com o público do evento quanto com nossa equipe de cobertura. Deixo aqui nossos sinceros agradecimentos.
Caio Rangel ~Firen~: O que você acha mais legal em dublar o Seiya do Cavaleiros?
Acho que o mais legal foi a repercussão que ele trouxe na minha carreira. Foi graças a ele que a dublagem começou a ficar conhecida, que a gente ficou conhecido. É graças a ele que eu estou aqui em Uberlândia, graças a ele que eu viajo o Brasil inteiro, então acho que essa é a parte mais legal.
Caio Rangel ~Firen~: Porque você acha que o Cavaleiros do Zodíaco fez tanto sucesso? O que tem de especial?
Eu acho que é a saga, o passo a passo, cada casa era uma batalha. É o gancho que faz a novela, né? É aquilo que você quer ver no dia seguinte.
Caio Rangel ~Firen~: Seria a questão da amizade?
Tem isso também, mais acho que é o gancho, de te deixar querer ver o dia seguinte, te deixar naquela de “o que será que vai acontecer?”. Acho que esse gancho segurou o público. E acho que o que tem de mérito é a amizade, o vencer através da amizade, acho que esse é o mérito da saga.
Caio Rangel ~Firen~: Até porque, esse roteiro de amizade, eles usam muito. Podemos pegar como exemplo Naruto e Bleach, uma das séries mais famosas aqui no Brasil. Os protagonistas lutam para proteger seus amigos.
Isso, igual Caverna do Dragão. Era a mesma coisa, acho que isso é a nossa vontade, e a gente quer ver isso na TV.
Caio Rangel ~Firen~: Como foi a primeira vez que você dublou o Seiya? Você achou que a série faria tanto sucesso?
Achei não. A primeira cena que eu fiz era o Seiya arrancando a orelha do Cacius, achei que aquilo não ia pegar por causa da violência, porque em 94 nós não estávamos muito acostumados, uma coisa mais pra criança, então a gente não tinha ideia do que seria. A principio era só um desenho para vender boneco, que seria apenas mais um trabalho, esse era o objetivo principal, nem eles imaginaram que faria tanto sucesso.
Caio Rangel ~Firen~: Nós sabemos que o Gilberto dirigiu a dublagem da série em 94, e já em 2004 mudou a direção, essa mudança fez muita diferença?
Na segunda dublagem a gente já conhecia a série, então é uma direção diferente. Na primeira dublagem a gente não tinha ideia do que viria a ser. Nós conhecíamos a série por pacote, a cada 5~10 episódios que íamos ver mais um pouco, e já em 2004 a gente conhecia muito a série.
Caio Rangel ~Firen~: O diretor já tinha uma linha de trabalho...
É, o diretor tinha uma função diferente do que na primeira dublagem. Na segunda o diretor tinha que ver o sincronismo, e enfim, acho que a primeira tem um resultado mais legal porque é mais espontâneo.
Caio Rangel ~Firen~: Na segunda tinha uma fórmula meio feita já...
É, a gente está mais experiente, nós conhecemos mais a série, somos melhores atores...
Caio Rangel ~Firen~: Você estava 10 anos mais experiente...
Isso, 10 anos mais experiente na segunda dublagem. Já tinha feito escola de teatro, é uma dublagem diferente, tinha fãs olhando o que não tinha na primeira...
Caio Rangel ~Firen~: Deu aquele friozinho na barriga quanto tinha fãs olhando?
Não, já estava acostumado (risos).
Caio Rangel ~Firen~: Como é pra você, hoje, dividir o palco com o seu pai? É um grande orgulho, né?
Ah, é o maior presente que tenho! Viajar e contar essa história enquanto ele esta aqui é o melhor presente que a gente pode ter. Trabalhar junto, ter dirigido ele, dirigido minha mãe, minhas irmãs e vice versa, é ser feliz, e saber que sou... Acho que isso é o mais importante.
Caio Rangel ~Firen~: Quando escutam você, as pessoas reconhecem sua voz? Conte alguma situação engraçada que já ocorreu.
É difícil de reconhecer. Às vezes reconhecem por conta de imagem de ter visto na internet, ter visto em alguma entrevista e tal, mas reconhecer a imagem pela voz propriamente não. Mas teve esse caso aí, que eu contei no palco, que em um self-service, eu me servindo com meu prato, e o figura pediu um Meteoro de Pegasus, e parou a fila por causa disso, né.
Caio Rangel ~Firen~: Ele reconheceu sua voz ou a pessoa?
Não, ele reconheceu a pessoa.
Caio Rangel ~Firen~: Eu acho que a sua voz parece, mas na rua pode ser que nem tanto. Já o Hyoga e o Ikki, acho que eu reconheceria...
Será?
Caio Rangel ~Firen~: É muito igual.
Mas quando você vê andando na rua, assim, é fora de contexto. O Léo que faz o Ikki, ele fez um documentário que estava em cartaz em São Paulo, e ninguém reconheceu.
Esse documentário que o Léo fez, ele se fez passar por outra pessoa, que era o “Aritnem”, e eles queriam provar nesse documentário que a mídia abria espaço para qualquer coisa. Então, eles inventaram uma associação do abraço corporativo, e esse cara deu entrevista na Rádio Jovem Pan, Folha de São Paulo, Veja e era o Léo, fez palestra e ninguém pensou que aquele cara não era um executivo, e sim a voz do Ikki, em lugar nenhum.
E pensa, Aritnem era o nome dele, pensa isso ao contrário, é “mentira”. O documentário está em cartaz São Paulo até hoje, e ninguém sabe disso.
Caio Rangel ~Firen~: Além do anime, você dublou filme também. Tem muita diferença entre essas dublagens?
Olha, é meio que a mesma coisa. A série a gente faz em blocos de 5 episódios, e o filme vai ser inteiro, em uma chamada só. A diferença é que o filme tem inicio, meio e fim e a série vai se perdurando pros próximos.
Caio Rangel ~Firen~: Mas, digo o apoio que vocês têm do pessoal, na estrutura, é a mesma coisa?
Se o filme for passar no cinema, nós vamos ter uma dublagem diferente. Vamos ver no telão e só, a diferença é essa. Mas o esquema é exatamente o mesmo.
Caio Rangel ~Firen~: Só pra terminar, se fosse pra definir a dublagem com uma palavra, pra você, qual seria? Versão. É uma versão, a nossa é a brasileira, seria uma nova versão daquele produto.
Caio Rangel ~Firen~: Muito obrigado pela entrevista.
RÁDIO ANIMIX – ENTREVISTA – GILBERTO BAROLLI
Caio Rangel ~Firen~: O que você mais gosta em dublar o Saga?
Não sei, talvez daquela força que ele transmite através da violência, acho que é a força dele.
Caio Rangel ~Firen~: Mas dublar um vilão, não dá um gostinho maior?
Não sei. Engraçado, porque a gente passa a vida querendo ser bonzinho, querendo ser herói, e de repente você vai fazer um vilão, então é diferente.
Caio Rangel ~Firen~: Como foi dirigir a dublagem da série em 94? Quais foram as maiores dificuldades pra você?
As maiores dificuldades foram o roteiro que foi traduzido do inglês, e quando a gente chegou na hora, a gente tirou o som em castelhano, e as coisas não batiam, porque estava escrito em português traduzido do inglês, o que estava sendo dito em castelhano não batia, então foi terrível, tivemos que refazer o texto na hora.
Caio Rangel ~Firen~: Tem algum personagem que você gostaria muito de ter dublado, mas não teve oportunidade?
Não. O próprio Saga, no começo não era eu que fazia, era o Walter Breda, e eu só fui fazer o Saga porque o Breda não pode mais dublar, abandonou a série no meio e eu continuei, agora eu gosto de dublar o Saga.
Caio Rangel ~Firen~: Como você se sente sabendo que tem fãs por todo o Brasil?
Ah, sei lá! Faz bem pra vaidade, né?! (risos)
Caio Rangel ~Firen~: O que você acha da dublagem brasileira atualmente? Quais os principais pontos positivos e negativos?
Acontece o seguinte: a dublagem brasileira é muito boa, mas a partir do momento que começaram a surgir estúdios de fundo de quintal, fazendo um trabalho porco e o pessoal aceitando aquele trabalho porco, feito muitas vezes com não-atores, isso é muito negativo.
Caio Rangel ~Firen~: Acaba queimando o filme de todos...
Isso, o pessoal acaba dizendo que a dublagem é ruim. Não é a dublagem que é ruim, é aquele trabalho que é ruim porque não foi feito com profissionais.
Caio Rangel ~Firen~: Você participa de eventos por todo o Brasil, o que mais lhe chama a atenção durante esses eventos?
O carinho e a atenção do pessoal. O respeito deles é uma coisa muito legal!
Caio Rangel ~Firen~: Se fosse para definir a dublagem com apenas uma palavra, qual seria?
Mistério. Porque foi dita uma coisa, ta sendo dita outra em cima daquela coisa que foi dita, quem ouve não sabe o que foi dito lá, sabe o que esta ouvindo, porém é um mistério o que foi dito.