Escrito por Entrevista: Francisco Valmar ~Valmas~ e Arthur Magalhães; Tradução: Nicolli Tanamate ~Sayuri~ e Patrick Yudi ~Yuh~; Revisão e edição: Gabriel Tavares
Após passar por países da Ásia, Europa, Oceania e América do Norte, chegou a hora do Head Phones President vir pela primeira vez a América do Sul, com 3 shows no Brasil.
A banda se apresentou no Anime Teen, em São Paulo, no dia 25 de abril, no Anime Hero Beats, no Rio de Janeiro, dia 29 de abril e no Anime Hero Festival-CE, em Fortaleza, no dia 1º de maio.
A Rádio AniMiX esteve presente nos 3 shows e preparou uma super-entrevista com a banda que você confere logo abaixo:
01. Como foi o início do Head Phones President?
Inicialmente, eu Anza estava numa carreira solo. Foi então que eu encontrei o guitarrista, na banda de apoio. Bem, os guitarristas (Hiro e Mars) são irmãos. Conheci ele quando fui na casa do Hiro, para discutirmos sobre a banda. Conversamos sobre música e percebemos que nossos gostos são parecidos e como estavam procurando outro guitarrista, surgiu o convite para tocarmos juntos. Quanto ao baterista, esse é o segundo, e o baixista também, trocamos umas 4 vezes. Na verdade ele era guitarrista de outra banda. Ele tocou com a gente quando fizemos um show em Nova Iorque. Ele se tornou membro da nossa banda mesmo foi em fevereiro do ano passado. Antes tinha um tecladista, mas como não combina muito com o estilo da banda, ele saiu.
02. Quando a banda surgiu, ainda utilizava o nome Deep Blue, houve algum motivo específico para a mudança de nome?
Como queríamos passar uma mensagem mais forte, uma música mais pesada, o nome Deep Blue, que soa mais pop, tinha que ser mudado. Queríamos poder expressar mais o que temos dentro de nós, queríamos passar a ideia de uma música mais agitada. Queríamos ser os melhores, mais ou menos isso.
03. Além do Japão, vocês já se apresentaram em Taiwan, Estados Unidos, Austrália e alguns países da Europa. Puderam notar alguma diferença entre os públicos de cada um desses locais? Qual?
Obviamente. Cada país tem sua forma de expressão. O que posso dizer que é mais notável é no Japão, pois o público é bem mais quieto. Como sempre nos apresentamos lá, não nos preocupávamos tanto em animar o povo. Quando fomos para fora, sentimos uma grande diferença na reação. Nos assustamos.
04. É a primeira vez que vocês vêm a América do Sul, o que vocês esperam dessa turnê?
Como é a primeira vez que viemos, só pelo fato de virmos aqui, nos sentimos felizes. É difícil uma banda japonesa fazer show por aqui, porque é longe, não tem uma situação favorável. Dessa vez, o Rafael entrou em contato conosco e pudermos vir para cá e encontrar nossos fãs brasileiros.
05. Como surgiu a oportunidade de se apresentar na América do Sul?
O organizador nos mandou um e-mail propondo o show aqui no Brasil, e aceitamos. Na verdade, era pra ter acontecido em outubro do ano passado, mas por causa da Influenza A tivemos que cancelar tudo.
06. Alguns dos seus álbuns já foram lançados nos Estados Unidos, país em que vocês tem muitos fãs. Vocês tem algum plano de lançar seus produtos originais na América do Sul?
Pois é, acho meio difícil no momento, mas talvez nós lancemos algo, quando tivermos certeza à gente avisa.
07. Vocês já se apresentaram em festivais ao lado de bandas bastante famosas como Slipknot, Dragonforce e Mötley Crue. Como é a experiência de tocar no mesmo palco que esses grandes artistas?
Ficamos muito nervosos, mas foi como um sonho. Só pelo fato de estarmos tocando é muito gratificante, e ainda por cima poder tocar com bandas famosas é algo incrível, uma ótima experiência.
08. Como vocês definem o estilo do Head Phones President?
Não é apenas um rock pesado, mas em algum lugar tem algo mais musical. Tem uma parte obscura e também iluminada, está tudo misturado. Claro que não é só a questão de ser mais pesado, mas sim, divertir-se também. Não existem muitas bandas assim no Japão, então acho que é um ponto forte nosso.
09. Em que vocês se inspiram na composição de suas músicas?
Tenho cantado muito a minha vida, minhas experiências, tudo o que tenho feito. Mas também, às vezes ponho o que sinto quando vejo filmes, notícias. Só que, o que eu quero passar não é uma, são várias. Como eu não sei nada de inglês, eles que fazem a tradução. É uma forma de compartilharmos também a letra da música.
10. Quais artistas cada um de vocês escuta quando está de folga?
Sigur Rós, Rolling Stones, João Gilberto, Björk Guðmundsdóttir, Ambient Kei etc.
11. Como vocês vêem esse interesse crescente do público ocidental pela música japonesa, com cada vez mais artistas se apresentando no Ocidente?
Me surpreendi com uma coisa. O Visual Kei e o Anime Song não se misturam. Mas aqui no Brasil todo mundo está junto. Eu acho isso muito lindo. Eu gostaria que no Japão fosse assim também, mas é culturalmente complicado.
12. Anza, antes de formar o Head Phones President, você participou de grupos como o Sakurakko Club Sakura Gumi e o Momo, que tinham uma sonoridade mais voltada para a música pop. Como foi a transição para um ritmo mais pesado no Head Phones President?
Bem, não é de sempre que eu gosto de música mais pesada, mas como minha mãe gostava muito de Bom Jovi, eu sempre tive algum contato com o rock. Quando eu estava nesses grupos, eu tinha sempre que estar com um sorriso e vestindo roupas bonitinhas. Era como se eu estivesse sendo manipulada, e eu odiava isso. Eu queria poder fazer o que eu quero. Foi então que eu saí desses grupos e comecei do zero com a Head Phones President.
13. Anza, você tem uma carreira muito versátil, participando de grupos com sonoridades bem diferentes e até mesmo musicais como o SeraMyu. Como você vê a reação de seus fãs em trabalhos tão diferentes?
No musical, apesar de ter música, interpretação e danças, não está tão longe assim do HPP. Todos querem passar alguma mensagem. A única coisa que muda é que a Head Phones é um pouco mais dark.
14. Como foi participar do musical SeraMyu?
Foram meus 5 anos valiosos. Se não fosse o SeraMyu, não existiria a HPP.
15. Quais são os seus planos para o futuro da banda após essa turnê? Algum lançamento em mente?
Quando acabar essa turnê, voltaremos para o Japão, mas quem sabe faremos outra turnê por aqui. Vamos nos focar mais nas novas músicas e assim que der pretendemos fazer gravações.
16. Para terminar, poderiam deixar uma mensagem para a Radio AniMiX e os seus fãs do Brasil?
Todos da AniMiX, somos o HeadPhones President. Sou o guitarrista Mars, vocalista Anza, guitarrista Hiro, baixista Narumi e baterista Bacth. Esperamos voltar para o Brasil, então espero vê-los novamente.