| Entrevista Exclusiva: Ma:kiavel |
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| Escrito por Gabriel Tavares de Lima ~Stinger_Kildred~; Revisão e Edição: Daniela Rigon e Alberto Botelho |
| Qua, 22 de Outubro de 2008 19:20 |
![]() O projeto Ma:kiavel começou após uma jam session durante os membros TaRo e Filth da extinta banda B+M, Irie da banda Personna e Mime e Karin da extinta banda ANN-Elise apenas para um único show no J's Fest. Depois de um hiatus, a banda contou apenas com TaRo e Filth, cujos estavam a procura de membros que fossem novos na cena para dar um novo fôlego no cenário Visual Rock do Rio de Janeiro. Logo, se uniram ao grupo Dana e Niido e assim recomeçaram os trabalhos como uma banda oficial, com influências de várias bandas de Visual Rock contemporâneas e com o objetivo de divulgar a linguagem do Visual Kei pelo ocidente. Durante a série de shows de 2008, serão criadas as músicas para seu primeiro single, intitulado ~The Fall~, que entrará em processo de gravação em novembro. Confira uma entrevista exclusiva realizada pela Rádio AniMiX:Radio AniMiX: Qual a origem do nome da banda?Ma:kiavel (Taro): A gente teve uma proposta, que era puxar para letras mais políticas, críticas mais políticas. Aí, quando a gente pensou em nome de banda, eu tava muito ligado em Maquiavel. Estava lendo pela décima quinta vez O Príncipe, aí eu pensei: “Porra, Maquiavel”. A gente conversou e chegou a conclusão que seria Ma:Kiavel, isso na outra formação da banda. É isso, o nome é Ma:Kiavel porque a gente faz letras com cunho político. Radio AniMiX: Como vocês se conheceram? Ma:kiavel: Taro: Eu conheci o Felipe (Filth), que é o guitarrista, no início de 2002. A gente formou uma banda em 2003, que foi a Bloodmary, e tocamos algum tempo com essa banda, fizemos uns shows pelo Rio, só que a banda acabou, e a gente voltou com outra banda, aí essa banda acabou também, e a gente criou a Ma:Kiavel. Filth: Em 2006. Taro: No final de 2006, a gente montou a primeira versão da Ma:Kiavel. Era o pessoal da Personna, da AnnElise e da Bloodmary que virou essa banda. Filth: Aí a gente chegou a fazer um show na J’Fest. Depois desse show, o vocalista da banda entrou em depressão e quis parar de cantar. E ele está até hoje sem cantar, está montando uma banda nova agora, mas depois de muito tempo. Taro: A gente passou um tempo parado, mas a gente sempre quis voltar a trabalhar, mas o cenário carioca tava muito preso às mesmas figuras. A galera do Méier, que era eu, Ricardo (Irie da Personna), Felipe (Filth), Fred... eram dez bandas com vinte pessoas repetidas, então a gente resolveu: vamos montar uma banda, mas tem que ser com gente totalmente nova. Aí o Danilo (Dana), eu já sabia que tinha feito teste pra Personna há uns dois anos atrás... Filth: Na verdade, eu tinha uma banda na qual eu ia tocar com o Danilo. Eu conheci o Danilo por uma banda, só que ela não deu certo e eu acabei pegando o contato dele. E o Bruno (Niido), eu acabei conhecendo porque ele era amigo do Ricardo, que acabou apresentando ele pra gente. Dana: E ele estudou comigo também. Taro: Aí a gente juntou e começamos a trabalhar nessas covers. A gente está junto com essa formação há sete meses, mas parece que a gente já está junto há alguns anos, porque é a banda mais que perfeita. Filth: É marido e mulher. Taro: Encaixou muito bem, é uma banda que não tem brigas. Até tem brigas, eu e ele (Filth), a gente briga sempre, mas até aí, sou casado (risos), porque banda é isso, banda é um casamento, não tem como escapar muito disso. Filth - guitarra
Radio AniMiX: De onde surgiram os nomes artísticos de vocês? Eles tem algum significado? Ma:kiavel: Taro: O meu é Taro porque eu era nerd e gostava de Lain. Dana: O dele é Filth por causa de sujeira e por ele não tomar banho (risos). Filth: Mentira, eu normalmente tomo até dois banhos por dia, mas isso não vem ao caso, sou sujo pra caramba mesmo (risos). Mas a verdade é por causa de uma música que eu gosto muito de um grupo chamado Dir en Grey, achei legal, achei que soava legal e acabei botando isso mesmo. Dana: O meu é Dana porque a galera me chamava de Dan, e em japonês fica Dana, por causa da prorrogação do japonês. Filth: Niido é porque a gente não tinha nome pra dar pra ele, a gente escolheu e ficou. Niido: Na verdade é praticamente isso mesmo, foi meio randômico. Taro: Eu me lembrei, tem uma música do Kagerou que se chama Holy Needle, que significa agulha, só que quando eu ouvia alguém falando, eu pensava que era macarrão, Noodle, eu pensava, Holy Needle, é macarrão sagrado. Mas Needle é legal, e ficou Niido, por causa da pronúncia japonesa. Foi isso na verdade. Radio AniMiX: Como vocês descobriram a J-Music e resolveram montar uma banda? Ma:kiavel: Filth: Cada um por um lado, o Fernando (Taro) já conhece há mais tempo. Taro: Eu e o Ricardo da Personna, tínhamos mania de comprar fita de anime, e numa dessas fitas tinha uma banda chamada L’arc~en~ciel, um grupo chama Laputa, tinham clipes, aí a gente foi na época num site chamado Audio Galaxy e baixou tudo. Filth: E tinha o Paradox Reality, que é um site que acho que já fechou há uns dez anos. Taro: Não, acho que tem o site lá ainda, é só digitar www.paradoxreality.com que acho que ainda “tá” lá. Aí a gente começou a curtir daí, pegando fita japonesa, puxando coisa, e foi. Filth: Eu comecei a conhecer porque tinha uns amigos meus que vinham pra encontros de anime, e eu comecei a ir, mas eu não gosto muito. Gosto de um anime ou outro, mas não gosto muito. Aí como eu toco guitarra, uma amiga minha, a Haru, me chamou pra tocar numa banda, eu já conhecia e falei “tá” bom. Mas ela queria outra proposta, uma proposta de Visual Kei. Aí ela me mostrou umas bandas como Dir en Grey, X-Japan, e eu gostei. Aí a banda nem aconteceu, mas eu comecei a gostar cada vez mais. Niido: Em 2007, um amigo meu de um curso preparatório que eu tava fazendo pro vestibular acabou me apresentou D, e outras bandas como exist†trace, Lynch., MUCC. Aí ele começou a me apresentar essas bandas e eu comecei a gostar e fui procurando mais, até que um dia eu conheci o Ricardo, veio me propagando, e assim eu fui conhecendo. Dana: Eu não lembro como eu comecei a curtir Visual Kei, mas foi o Ricardo que começou a me apresentar essas paradas, o Ricardo é o cenário, ele me ajudou a se aprofundar. Taro: Pô, “tá” todo mundo usando o Ricardo como referência, o cara tá virando um mito. Filth: Inclusive ele já tocou nessa banda também. Dana - bateria
Radio AniMiX: Como vocês escolhem o repertório da banda? Tem alguma música preferida de vocês? Ma:kiavel: Filth: A gente tem uma linha, mais ou menos um mesmo pensamento, mas cada um gosta de uma coisa. Normalmente cada um escolhe cinco músicas e no final a gente vê quais vão ficar legais pra tocar. Taro: Também tem umas músicas que são consenso geral, por exemplo, Roji Ura (Roji Ura Boku To Kimi E), do MUCC, que hoje em dia é a música que a gente mais gosta de tocar. Filth: Tem muita música que a gente escuta e no CD é legal, mas tocar ela é outra coisa. Radio AniMiX: Quais são as principais influências musicais e visuais da banda? Ma:kiavel: Filth: MUCC, Lynch., Alice Nine, Visual Kei em geral, cada um curte uma parada, mas o ponto melhor de encontro entre a gente é o MUCC. Taro: Eu gosto mais de Nagoya, que é a parte mais depressiva do Visual Kei, mas o Filth gosta de algo mais pesado... Filth: Não necessariamente, gosto muito de Nightmare, de Lacrima Crisis, Librian. Dana: Eu curto Luna Sea, Mirage, um pouco de metal também. Niido: Eu também gosto de metal. Taro: A banda é bem diferente, mas ela se completa assim, na diferença. Taro - baixo
Radio AniMiX: Como está sendo o processo de criação das músicas para o primeiro single da banda? Ma:kiavel: Filth: A gente “tá” começando a trabalhar nas primeiras músicas, a gente “tá” brigando um pouco. Taro: As primeiras músicas foram numa época que eu tava trabalhando em Brasília, eu tava meio revoltado com a política, sentei na janela e escrevi umas letras. Aí essas letras foram mudando com o tempo, o Bruno mexeu em algumas, eu mexi em outras. Aí a gente criou uma base pro primeiro single, que são cinco músicas que contam a história de um cara que se revolta contra o sistema, derruba o sistema, domina o sistema, se corrompe e monta um novo sistema. Essa é a nossa idéia. Esse é o primeiro trabalho. A gente tava criando várias músicas com o Guitar Pro, eles criam umas coisas, eu crio outras, aí eu mando pra eles, aí um dia a gente foi pro aniversário do Niido, na casa dele, o Filth pegou o violão, a gente tava com a letra em japonês na mochila, o Niido pegou a música, começou a cantar e encaixou, de primeira. A primeira música ficou pronta assim, do nada. Filth: A gente “tá” fazendo um trabalho de refinamento. Taro: É, a gente “tá” fazendo um trabalho de refinamento, mas a primeira música saiu assim, milagre. Radio AniMiX: Tem algum show que marcou vocês? Algum lugar que gostaram muito de tocar? Ma:kiavel: Filth: Eu gostei muito de tocar no Anime Family. Taro: Eu gostei muito de tocar em Caxias, porque foi surpreendente. Você vai pra um lugar, acha que vai fazer um show pra Otaku, só pra otaku, e aparece um maluco na comunidade e fala: “Cara, eu amei a música do Lynch., eu nunca imaginei escutar Lynch. em Caxias”. Nossa, isso me realizou cara! Porque a nossa idéia é essa mesmo, é divulgar, e dar oportunidade ao povo. Eu nunca vou ver Lynch. na minha vida, quem dera que eu conseguisse, mas eu gostaria muito de ir num show e ouvir um cara tocando Lynch., é uma das bandas que eu me amarro. Pra um cara que não tem como ver um maluco japonês lá no Japão, contente-se com a gente mesmo. A vontade é essa, divulgar pra quem não tem acesso ao J-Rock, passar a linguagem do Visual Kei, que é a principal proposta que a gente tem, pois o Visual Kei não é só uma maneira de se vestir, tem toda uma ideologia por trás. Para mim, é um dos maiores movimentos artísticos do século XXI. As pessoas talvez não percebam isso, porque se ligam muito na parte musical e visual, mas o Visual Kei tem uma proposta muito bonita. Se pegar o contexto da sociedade japonesa, e vir o que é o Visual Kei lá, é um movimento artístico de contracultura muito forte. É por isso que a gente curte Visual Kei. E aqui no Brasil também, Visual Kei é tudo. Eu não posso vestir um Visual Kei pra trabalhar, mas eu misturo um terno e moicano pra trabalhar, pra mim é uma expressão visual, eu me expresso assim. Filth: A idéia do Visual Kei mesmo é chocar. Taro: Se eu falar que a coisa mais punk hoje em dia é você ter um moicano, um monte de piercing na boca e ajudar uma velhinha, eu fiz isso outro dia e ela disse: “Meu Deus, achei que esse pessoal de vocês era tudo mal”, isso é preconceito. Filth: Quebra paradigma, quebra tudo. Taro: O Visual Kei é isso, você vai chocar, fazer que as pessoas pensem. Niido - vocal
Radio AniMiX: Pra fechar, gostaríamos de pedir para vocês deixarem seu último recado e alguma forma de contato pro pessoal que gostaria de conhecer a banda. Ma:kiavel: Filth: Eu vou passar a forma de contato, o nome da nossa banda é Ma:Kiavel, nosso email de contato é makiavelmusic@gmail.com e o nosso site é www.makiavel.com . Se quiser nos achar no Orkut é só procurar Ma:Kiavel lá no Orkut, e podem deixar sua opinião que a gente sempre “tá” na comunidade. Taro: O que eu quero falar é o seguinte, o que eu falo e vou falar sempre a partir de agora, eu acho o seguinte: é fácil falar que a empresas que trazem artistas japonesas pra cá são demais, mas demais é a gente! Não a Ma:Kiavel, mas todas as bandas do cenário, o cenário de Visual Kei, porque a gente não faz isso pra ganhar dinheiro, a gente faz isso pra divulgar o Visual Kei, o J-Rock porque gosta. E se os artistas vieram pra cá, é claro que é graças ao dinheiro das empresas, mas também graças ao nosso esforço de divulgar isso aqui dentro. Se não fosse a gente, muitas pessoas não gostariam. Não só a gente que tem banda, mas o pessoal que não tem banda, mas faz visual, o pessoal que não faz visual, mas curte. Aqueles caras que curtem e falam: “Escuta isso, isso é J-Rock”, não aquele cara que pega e guarda dizendo: “Eu não quero que ninguém conheça, eu e minha síndrome de underground”. Miyavi e Charlotte é mérito nosso. Não da Ma:Kiavel, de todas as bandas mesmo, e não tratam a gente com o devido respeito. A gente “tá” tentando diminuir isso aqui, não dão atenção pra gente, tratam a gente como moleque, a gente tem estrutura, a gente gasta dinheiro com instrumento, a gente ensaia, a gente gasta dinheiro, a gente paga pra tocar, e eu não ligo, é meu hobby. Podia montar uma ferrovia de brinquedo, mas meu hobby é tocar, mesmo gastando dinheiro. Mas eu realmente queria que as pessoas dessem mais valor à gente, tanto o público, como os organizadores de evento, e vissem que quem traz japonês pro Brasil, não é são só as empresas, mas também a gente. A Psygai, a Pandora no Hako, as bandas de São Paulo, as bandas do Rio de Janeiro, as bandas que já acabaram, as bandas que vão começar, e se você quer fazer uma banda nova, é só perguntar pra galera das bandas antigas. Porque vocês são o futuro, a gente daqui a pouco vai ficando velho e sair do cenário, a gente “tá” aí a quase oito anos, tem que renovar. Não tenha medo de fazer banda, faça banda e se precisar de ajuda procurem a gente. Integrantes: Niido - vocal Taro - baixo Filth - guitarra Dana - bateria Sobre a banda: www.makiavel.com Imagem: Por Moko (Anime Rio), somente para fins de divulgação, todos os direitos reservados à banda Ma:kiavel. |













































