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Texto de autoria de Alexandre Manoel*
Esta publicação escrita e desenhada por Flávio Luiz, e com cores de Artur Fujita, conta a história de Severino Crispim dos Santos, um cangaceiro conhecido como O Cabra que viu todo o seu bando e sua mulher morrerem numa emboscada dentro de uma igreja e no dia de seu casamento. A partir daà ele parte em busca de vingança contra os autores desse massacre. Não sem antes descobrir segredos que mudarão sua vida para sempre.
A HQ se passa num futuro pós-apocalÃptico onde a Terra é praticamente um deserto, a água é escassa e serve a poucos e onde a genética evoluiu para clonagens e hibridizações entre as espécies, tornando comum a presença de clones e seres antropomórficos.
Mas o grande destaque da publicação vai mesmo para o seu formato gigante (25 x 38 cm), que impressiona e faz um resgate das extintas páginas dominicais dos jornais – onde os quadrinhos se desenvolveram e tornaram-se populares.
Com um tamanho desses, a arte tem que ser muito boa, do contrário o formato começa a jogar contra a história ao revelar possÃveis erros, faltas de detalhes, deficiência em construção de cenários e coisas do tipo.
Felizmente Flávio Luiz passa com folgas nessa prova de fogo. Seu traço não é muito detalhista e também não há uma narrativa que privilegie grandes panorâmicas, mas isso é coerente com a história, uma vez que ela se passa num deserto. Mas nos momentos em que se precisa de panorâmicas e tomadas mais detalhadas, o autor se sai muito bem.
Mas a arte conquista mesmo pelas variações de ângulos e pelo estilo próximo ao cartum, que acaba amenizando um pouco as cenas mais sanguinárias, afinal o Cabra gosta de matar suas vÃtimas arrancando-lhes suas cabeças com uma peixeira.
A aventura, como não poderia deixar de ser em se tratando de cangaço, é uma história de vingança, como muita ação e uma pitadinha de romance.
Interessante, e louvável, que mesmo fazendo uma obra com caracterÃsticas universais (como o ambiente, a presença da tecnologia e de assuntos como clonagem e a distopia) o autor, de origem nordestina, insere assuntos regionais como a seca e o ainda presente coronelismo e a cumplicidade da religião. Um trabalho com diversos nÃveis de leitura.
Por tudo isso, uma HQ que merece ser lida.
O Cabra
¦ Autor: Flávio Luiz
¦ Cores: Artur Fujita
¦ Editora: Papel A2
¦ Lançamento: Dezembro de 2010
¦ Páginas: 56
¦ Preço: R$ 38,00
*Formado em Artes Plásticas pela UNESP, é ilustrador freelancer, quadrinista (aprendiz na arte de se escrever roteiro) e editor da revista Subversos.
Fotos: Divulgação
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