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Bem galera, finalmente após um pequeno atraso, volto a lhes escrever mais uma coluna Visual Shock. Na coluna anterior, falei um pouco sobre o cenário de J-Music no Brasil, mostrando um pouco sobre como a J-Music se disseminou pelo país. Falei também brevemente sobre bandas brasileiras que tocam música japonesa no país. Nessa coluna, irei me estender mais sobre esse assunto, mostrando um pouco sobre as bandas brasileiras que tanto agitam esse cenário.
Como falado na última coluna, por volta do ano 2000 começaram a surgir as primeiras bandas brasileiras inspiradas no J-Rock e no Visual Kei. Essas bandas inicialmente tocavam apenas covers de famosos grupos japoneses, mas, posteriormente, muitas delas começaram a lançar material próprio em japonês.
Pandora no Hako
A primeira banda de J-Rock no Brasil curiosamente nasceu no Rio Grande do Norte, a Pandora no Hako, hoje com dez anos de existência. O grupo é bastante conhecido, principalmente nas regiões Norte e Nordeste, onde se apresentaram em diversos eventos. O repertório do grupo inclui covers de bandas como Lareine, Show-Ya, X-Japan e Sex Machineguns, além de músicas próprias como Kore Wa Anata e No Rekuiemu (Requiem for you).
Hoje, no Rio Grande do Norte, já existe um grande festival de J-Rock chamado Saga Jam, onde já se apresentaram algumas bandas da cena potiguar, como a Kami Arashi, Black Tie, Saigo Ni e a própria Pandora no Hako.
Psygai
Outra banda bastante importante no cenário J-Rocker no Brasil é a banda carioca Psygai, primeira banda brasileira de J-Rock a lançar material próprio, o single Winter Dreams, lançado em 2003. Após o primeiro lançamento, ainda viriam outros dois mini-álbuns: MaDamn, em 2004 e Saigaichou, em 2005. Em 2007, a Psygai foi uma das bandas a abrir o show do Charlotte no Rio de Janeiro (a outra banda foi a Kurohana, que também possui música própria, a excelente Maboroshi No Niwa), e pouco depois disso, entrou em hiatus. Apesar do hiatus, segundo os membros do grupo, o mini-álbum ShinkeiON anunciado há alguns anos, não será esquecido, e terá seu lançamento em breve assim que a banda retornar as atividades. Atualmente, alguns membros da Psygai estão juntos em outro projeto, o Pathétique Poupée, banda que já havia lançado dois singles (ima, messeeji wa onaji kedo, em 2005 e kimi ga shiranai, em 2006 ) e um mini-álbum (Rokudou, em 2006), e lançou em janeiro de 2009 o seu terceiro single: Meijiri. A Pathétique Poupée foi também a segunda banda brasileira de J-Rock a lançar um PV (videoclipe), com a música kusegoto.
O cenário do J-Rock no Rio de Janeiro tem se destacado bastante nos últimos anos. Se antes havia bandas como B+M e AnnElise, hoje existem nomes como Personna, BaKuHaTsU, Ob’sex’i[on] e Ma:Kiavel. A Ob’sex’i[on] foi a primeira banda brasileira de J-Rock a lançar um PV, com a música Shisen. O PV foi lançado oficialmente numa data muito importante para a história do J-Rock no Brasil: o dia do show do Charlotte no Rio de Janeiro.

BaKuHaTsU
Já a BaKuHaTsU é uma das bandas brasileiras com maior repertório de músicas próprias, e deve lançar ainda em 2009 o seu primeiro full-álbum, o DREAM WAY, que terá músicas como HYPER SONIC e a faixa título DREAM WAY. A Personna, que já lançou dois singles (Fallen Blue e na.ku.shi.ro), está em processo de finalização de outros dois singles, que deverão ser lançados ainda esse ano. Enquanto a Ma:Kiavel, que ano passado havia lançado o single Mirror, que se esgotou minutos após o lançamento durante seu show no J’Fest, lançou no mês de Junho seu primeiro mini-álbum, o Black Crown.
O Rio de Janeiro é também palco do Japan Song Fest (popularmente conhecido como J’Fest), evento que reúne diversas bandas brasileiras de J-Music e completará, em 2009, três anos de existência.
Há também a Festa NeoTokyo, que terá sua quinta edição em Agosto, e visa trazer ao Rio de Janeiro o melhor da noite underground japonesa.
Mask To Bara
Em São Paulo, uma banda que tem obtido grande destaque é a Mask To Bara, uma das grandes revelações do cenário atualmente, que, apesar de ser uma banda relativamente nova, já vem desde o seu primeiro show tocando apenas músicas próprias. O grupo lançou recentemente o single Blue Magic, que conta com as músicas Mahö e Blue [AISHITERU] (em versões com vocal e instrumental), e um belo encarte. Juntamente com o single, também foi lançado um PV para a música Blue [AISHITERU].
Foi em São Paulo que surgiu a banda Sleazoid (hoje extinta), primeiro grupo a misturar em suas músicas o português, o inglês e o japonês.
O estado também é terra de festivais como o Playbands e o Macabre Festival, por onde já passaram diversas bandas brasileiras de J-Rock.
Dreizehn
Já em Minas Gerais, o que acontece é um fenômeno um pouco diferente: bandas de J-Rock que atuam não só na cena oriental, mas participam de festivais comuns, fora da temática oriental, como o Dreizehn e o Sh.U.Ra, duas grandes revelações do J-Rock brasileiro, com excelentes músicas, como Midnight, Lustfull e Black Seed, do Dreizehn e Demons May Love e Shinyume do Sh.U.Ra.
Outras grandes bandas brasileiras de J-Rock que podem ser citadas são a JUN (Japanese Uncanny Novel), do Rio Grande do Sul, -Novacaine- de Pernambuco e Arayashiki de Sergipe.
Um fenômeno interessante que tem surgido nos últimos tempos é o intercâmbio entre músicos brasileiros e japoneses. No ano passado, a banda Gaijin Sentai lançou o mini-álbum Jaguatiman VS Sunrider, que contou com a participação de Eizo Sakamoto (Anthem e Animetal), que viria a fazer uma pequena turnê com a banda alguns meses depois.
Negrayscow e Shi-no
Outras bandas brasileiras a acompanharem um cantor japonês em seus shows pelo Brasil foram as bandas Negrayscow (que inicialmente era uma banda de animesongs, mas hoje já lançarou músicas próprias no J-Rock como Kokoro no Jikan) e Aurora, que acompanharam o cantor Shi-no (A.Q.U.A. e Gram∞Maria) em seus shows pelo Brasil.
Já com os DJ’s cariocas Lucy e Mizuh, a coisa foi um pouco diferente do caso da Gaijin Sentai. Nesse caso, foram os brasileiros que participaram de álbuns de artistas japoneses. Lucy teve um de seus remixes da música Assassination incluídos no álbum Assassi-nation do 2 Bullet, enquanto Mizuh participou do álbum Lost Sky, do BLOOD, com um remix da faixa título.
Outro fato importante para o J-Rock brasileiro foi o lançamento de algumas coletâneas, como Brazilian Zombie Heroes (um tributo brasileiro ao Dir en Grey), Stay Free (um tributo brasileiro ao hide) e V.A. J-Music Brasil (com músicas próprias), que contaram com a participação de muitas bandas do cenário.
Independente do local de atuação, o fato é que a cena de J-Rock que temos hoje depende muito do trabalho dessas bandas, assim como o crescimento desse cenário. Quando vemos uma banda japonesa se apresentando no Brasil, parte desse mérito se deve ao trabalho dessas bandas e desses músicos que lutam no dia-a-dia para apresentar a J-Music ao público. Portanto, é sempre importante que valorizemos o trabalho dessas bandas e apoiemos para que o cenário cresça cada vez mais. Com o crescimento desse cenário, surge também a necessidade dessas bandas de criar material próprio, músicas autorais, para que assim possam também ter valorizados os seus próprios trabalhos como músicos e consolidando a cena ainda mais. É extremamente complicado para essas bandas lidar com o preconceito de quem não as conhece, portanto, procurem ouvir seus trabalhos, sempre pensando em tudo isso, deixando de criticar algo simplesmente por não conhecer e dando uma chance ao que é novo. É dessa forma que o cenário irá crescer cada vez mais.
Bem galera, vou terminar a coluna dessa semana por aqui, expressando minha admiração por todas essas bandas que foram aqui citadas. Além dessas, existem, existiram e existirão muitas outras bandas brasileiras de J-Rock tão boas quanto essas. Porém, como não há como citar todas, optei por essas que vocês viram nas linhas acima para representar esse belíssimo cenário.
Na próxima semana (no dia 13 de Julho para ser mais exato), teremos o Dia Internacional do Rock e eu espero conseguir fazer uma coluna que faça jus a essa data tão importante. Nos vemos na semana que vem.
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