O cenário de J-Music no Brasil tem mostrado uma grande ascensão ultimamente, com muitas bandas nipônicas se apresentando no país. Nessa coluna veremos uma breve análise sobre como a música japonesa chegou a tal patamar em terras brasileiras.
O início
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Pandora no Hako
A disseminação da J-Music no Brasil se deu por duas maneiras: através de animes e tokusatsus, e entre descendentes de orientais, que recebiam CD’s e DVD’s importados do Japão como presente de seus parentes.
Em geral, grande parte dos primeiros fãs de J-Music no Brasil conheceu a música japonesa através de animes como Furi Kuri, DNA² e X-1999. Muitos chegavam a comprar VHS com esses animes, e algumas delas traziam no final do episódio clipes de bandas de J-Rock, como L’arc~en~ciel, Laputa e Rouage.
Após o primeiro contato com algum artista japonês e com a crescente popularização da internet, esses fãs começavam a procurar por outras músicas dessas bandas, em sites como Audio Galaxy e Paradox Reallity. Assim, o interesse pela música japonesa ia crescendo, e o novo fã buscava novas bandas, em processo longo e contínuo.
Depois é chegada à hora de mostrar a novidade para outros apreciadores de cultura japonesa. Assim começa a formação de um cenário.
Por volta do ano 2000, começam a surgir as primeiras bandas brasileiras inspiradas no Visual Kei. Com covers de grupos orientais, bandas como a Pandora no Hako, Psygai, B+M, Irina e AnnElise, começam a construir o público do J-Rock no Brasil.
As primeiras bandas japonesas no Brasil
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Guitar Wolf
Ao contrário do que muitos pensam, o Charlotte não foi a primeira banda japonesa a passar pelo Brasil. Outras três bandas nipônicas já haviam pisado em território nacional anteriormente.
A primeira delas foi o Guitar Wolf, banda de Garage Rock formada em 1987 e com forte influência dos Ramones, que se apresentou na primeira e única edição do Yeah! Fest, um festival de música independente realizado em Campo Grande-MS no ano de 2001. O Guitar Wolf tocou ao lado de bandas brasileiras como o Mechanics e Autoramas e gravaram um documentário para as TVs japonesas, chamado: Guitar Wolf in Campo Grande.
O sucesso dos punks nipônicos em sua passagem pelo Brasil foi tão grande, que seu quinto álbum, “Jet Generation”, foi inclusive lançado no país pela gravadora Trama. A parceria com o Autoramas rendeu duas turnês, uma realizada no Japão e outra na segunda passagem da banda pelo Brasil, em 2003, onde foi a principal atração do Goiânia Noise Festival, além de fazer shows em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Após a turnê, os japoneses assinaram com o selo brasileiro Monstro Discos, por onde lançaram seu álbum “UFO Romantics”.
Em 2004, outra banda punk japonesa se apresentou no país: o Vivisick, com uma turnê brasileira juntamente com o Mukeka Di Rato (ES) e o Hellnation (USA). Sua vinda ao Brasil rendeu lançamentos como o DVD “Filhos da Puta do Japão – Brasil Tour 2004”, o CD “Landing to Brasil of Japanese Motherfucker”, além de um split juntamente com o Mukeka Di Rato.
Já em 2007, foi à vez do Robin (banda japonesa de psycho-punkabilly) passar pelo Brasil, marcando presença em pleno Carnaval no festival Psycho Carnival, em Curitiba, conquistando o público com sua apresentação e garantindo novos shows para a banda no Paraná e em São Paulo.
O auge
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Charlotte
Ainda em 2007, foi anunciado para o dia 5 de Agosto de 2007, no festival J-Rock Rio, que se apresentaria a banda de J-Metal Area 51, além das bandas Oshare Kei Charlotte e Hime Ichigo. Por problemas na organização, que até hoje não foram devidamente esclarecidos, o evento acabou cancelado e nem mesmo as bandas foram avisadas.
Pouco tempo depois, a Yamato Comunicações & Eventos (empresa responsável por eventos como o Anime Friends e Japan Song Fest), em parceria com o portal de J-Music JaME Brasil, anunciaram a vinda do Charlotte para duas apresentações em território nacional, realizadas no mês de Novembro de 2007 em São Paulo e no Rio de Janeiro. Shows esses que ficaram marcados como os primeiros de uma banda de Visual Kei realizados no Brasil, além de ter sido a primeira vez que uma banda japonesa se apresentou por aqui em um show solo.
Em 2008, chega a vez de Miyavi (ex-guitarrista do Dué le Quartz) realizar seus primeiros shows em terras brasileiras. Após uma enquete no site J-Rock Revolution, que o cantor elegeria os locais em que se apresentaria em sua turnê mundial, o Brasil venceu o Chile em votação muito apertada. Como resultado, Miyavi anunciou uma única apresentação por aqui no dia 24 de Maio, em São Paulo.
Com o esgotamento dos ingressos em apenas dois dias após o início das vendas, um show extra foi marcado para o dia 23 do mesmo mês, e novamente teve seus ingressos esgotados.
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Toshi With T-Earth
Após o grande sucesso da passagem de Miyavi pelo Brasil, a Yamato Comunicações & Eventos e a JaME Brasil romperam a parceria, decidindo assim trilhar caminhos diferentes. Pouco tempo depois, era anunciada pela Yamato, para o mês de Outubro, a vinda do Toshi With T-Earth, projeto paralelo de Toshi, vocalista do X-Japan, ao lado de nomes conhecidos da cena J-Rocker, como os guitarristas Touya (Charlotte) e Jun (Phantasmagoria), o baixista Ruka (Charlotte) e os bateristas Lenin (La’cryma Christi) e Shinya (Luna Sea).
Por sua vez, a JaME também anunciou a vinda de quatro grupos nipônicos: Plastic Tree & Billy, em Novembro (posteriormente adiado para Abril de 2009 e depois cancelado, devido ao fim do Billy e a saída do baterista do Plastic Tree), Monoral em Dezembro (com uma turnê por Rio de Janeiro, São Paulo, Fortaleza e Porto Alegre), e LM.C, em Janeiro.
Simultaneamente, outras empresas começam a entrar na jogada. A J-Shock, que já havia realizado os shows do cantor Eizo Sakamoto (Anthem, Animetal) em Agosto de 2008 no Rio de Janeiro e em São Paulo, trouxe também em Dezembro do mesmo ano a dupla de J-Pop/Animesongs Psychic Lover.
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Head Phones President
Posteriormente a empresa anunciou os shows de Shi-no, vocalista do Gram∞Maria, em uma turnê que passaria por sete cidades, entre os meses de Abril e Maio de 2009, GPKISM em Setembro e Head Phones President em Outubro.
Ainda em 2008, em parceria com a gravadora PS Company (a mesma de Miyavi), a Yamato anunciou para Fevereiro de 2009 (posteriormente adiado para Julho) mais uma grande banda, o Kagrra,, conhecidos por sua mistura de rock com ritmos tradicionais japoneses.
An Cafe
A vinda de tantas bandas japonesas para cá abriu os olhos de outra empresa, a T4F (Time For Fun), um dos principais grupos de entretenimento da América Latina, responsável por turnês mundiais de famosos artistas ocidentais como Rush e Madonna. O resultado disso é a inclusão do Brasil na turnê mundial do An Cafe, uma das principais bandas japonesas da atualidade, que se apresentou em São Paulo no mês de Abril. A mesma empresa também ficará responsável pela volta do cantor Miyavi ao país, em Outubro deste ano.
Os Problemas
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Miyavi
No final de 2007, com a vinda do Charlotte ao Brasil, muitos fãs de J-Rock e cultura japonesa em geral, foram aos shows mesmo sem conhecer a banda para apoiar a cena. O fato se repetiu
também na passagem de Miyavi pelo país, seis meses após o show da banda Oshare.
Porém, com o crescimento dos shows de J-Music no Brasil de Outubro em diante, chegando a incrível marca de quase um show por mês, os concertos começaram a esvaziar.
O público brasileiro de J-Rock, que ainda está em fase de formação e crescimento, já não acompanha essa demanda tão grande de shows. Aqueles que iam aos shows para apoiar a cena, agora selecionam qual show irão assistir, de modo que não deixam de estar na apresentação de uma banda que tenha mais afinidade.
Com shows esvaziados, as empresas podem acabar sofrendo grande prejuízo, o que gera ingressos com valor mais elevado e, conseqüentemente, um prejuízo também para o público.
Possíveis Soluções
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Kagrra,
Nos últimos tempos, algumas soluções estão sendo procuradas para corrigir esse problema.
Uma delas seria os rodízios de estados. É de conhecimento público que São Paulo tem o maior público de J-Music, mas esse público não é total, e, atualmente, ainda não consegue sustentar a cena sozinho, assim como nenhum dos outros estados brasileiros. Com muitos shows centralizados em São Paulo, em um curto período de tempo, já fica difícil para os próprios paulistanos acompanharem todos. Para o público de outros estados, a dificuldade é ainda maior.
Por exemplo, uma pessoa do Nordeste para ir até São Paulo assistir a um desses shows pode gastar em média 1.300 reais, valor que, em geral, costuma ser alto para a população brasileira, principalmente para ser gasto mensalmente.
Estados do Nordeste como Ceará, Pernambuco e Bahia, possuem um grande público para cultura japonesa em geral, além do fato de que viagens entre estados nordestinos sairiam por um preço muito mais barato.
O Rio de Janeiro também mostra um talento em potencial para J-Music, tendo em vista que o festival Japan Song Fest, maior festival de música japonesa do Brasil, onde apenas bandas brasileiras que tocam em japonês se apresentam, já alcançou público de 1.100 pessoas, pouco menos que um dos shows de Miyavi em São Paulo (1.400 pessoas), que contava com caravanas de diversos cantos do país.
Portanto, um rodízio de estados ou regiões, com São Paulo e Rio de Janeiro representando o Sudeste, e Pernambuco, Ceará e Bahia representando o Nordeste, poderiam ser uma boa opção para esse problema, tendo em vista que, em geral, o público brasileiro de J-Rock é o mesmo para todas as bandas.
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GPKISM
As empresas já estão olhando para essa possibilidade, marcando shows de bandas como Kagrra, e GPKISM em Fortaleza.
Outra solução, essa um pouco mais polêmica, seria as inclusões desses shows nos eventos de anime (que há muito tempo deixaram se tratar apenas de animes, tornando-se eventos de cultura japonesa em geral), como o Anime Friends, criando um dia de evento dedicado apenas a J-Music, com atividades voltadas para a música japonesa: salas de exibição com clipes, karaokê, shows de bandas nacionais que tocam em japonês e, por fim, o show principal. A estrutura do evento poderia ser aproveitada e o público certamente seria maior, com a presença das inúmeras caravanas que surgem de todo país durante os grandes eventos, barateando bastante o custo do ingresso. Fato que deu certo nos Estados Unidos, com o show do L’arc~en~ciel no OTAKON.
Essa opção também parece estar sendo observada com os shows do Kagrra, no Anime Friends (porém, em uma estrutura a parte do evento) e do GPKISM no AnimaOsasco.
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MUCC
Bem galera, antes de terminar essa coluna, gostaria de deixar um último recado pra galera.
Independente dos problemas, o que não podemos fazer é deixar de apoiar o crescente cenário de J-Music no país. Pode ser que você não conheça uma dessas bandas citadas, mas vale a pena procurar se informar sobre elas e prestigiar os shows, pois essa atitude pode ser essencial para que um dia, aquele seu artista ou banda favorita possa se apresentar no país, e quem sabe até lançar material oficial no Brasil.
Certamente, vocês amantes da música japonesa sonham em ver algum artista japonês específico no Brasil algum dia, e para isso precisamos apoiar esse cenário e fazê-lo crescer cada vez mais.
P.S.: Em tempo, enquanto escrevo essas últimas linhas, recebi a notícia de que o MUCC (minha banda favorita) fará uma turnê mundial que passará pelo Brasil. Bem, meu sonho está sendo realizado, espero que o de vocês também seja XD.
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