Olá galera, pra quem não me conhece, eu sou o DJ Stinger_Kildred, o seu DJ que toca J-Rock, e essa é a minha primeira coluna. Nessa coluna, vocês encontrarão semanalmente informações, reviews, novidades e curiosidades sobre o J-Rock, e, especialmente, o Visual Kei.
Nessa primeira coluna, vocês verão uma breve introdução sobre o J-Rock e a origem do Visual Kei.
D'ERLANGER
O nome J-Rock é uma abreviação para Japanese Rock, ou seja, uma simples forma de definição para o rock japonês. Dentro do J-Rock existem diversas vertentes como o punk (com bandas como The Stalin e Aburadako) e o metal (Loudness, Anthem, etc.). A história do rock no Japão começou nos anos 60. Após o boom do rock’n’roll pelo mundo e a criação do rock progressivo, começam a surgir no Japão bandas como Jacks, The Dynamites, Bikyoran e After Dinner, formadas em sua maioria por jovens universitários inspirados no rock inglês.
BUCK-TICK
Apesar disso, o rock só começou a ganhar destaque no Japão nos anos 80, com bandas como o BOØWY, um dos grupos que ajudou a definir as bases do pop rock japonês. Nessa década, começam a surgir grupos inspirados em bandas góticas européias, mas com uma característica bem própria: as músicas obscuras eram mescladas com o pop rock japonês, os sintetizadores eram menos utilizados, enquanto a maquiagem e o visual andrógino eram bem mais chamativos que o das bandas européias. Entre essas bandas consideradas góticas, surgiram alguns dos grupos que futuramente seriam a base para o Visual Kei: BUCK-TICK, D’ERLANGER e ZI:KILL.
X-Japan
Em meados dos anos 80, surge o Visual Kei (que pode ser traduzido como “linhagem visual”, ou “estilo visual”), um movimento de contra-cultura, que surgiu para quebrar a tradição conservadora do Japão e o mito dos japoneses serem todos iguais. Características peculiares do Visual Kei são as roupas incomuns, cabelos exóticos e o uso de maquiagem, criando assim, uma aparência andrógina. Apesar disso, especula-se que o termo Visual Kei só tenha sido criado por volta de 1994, em uma entrevista de hide (assim mesmo, com letras minúsculas), guitarrista do X-Japan, para a revista SHOXX, especializada em bandas visuais.
Luna Sea
As primeiras e mais influentes bandas de Visual Kei foram X-Japan, com seu lema “Psychedelic Violence - Crime of Visual Shock” (“Violência Psicodélica – Crime do Choque Visual”), Luna Sea, Color, Kamaitachi, e as já citadas BUCK-TICK e D’ERLANGER. O X, com seu álbum de estréia Vanishing Vision, foi a primeira banda independente a aparecer no ranking da Oricon.
Kuroyume
Mas o auge do Visual Kei só veio alguns anos depois, na década de 90, com bandas como Glay, Shazna, Malice Mizer, L’arc~en~ciel, Penicillin, Pierrot e principalmente, o Kuroyume. Ao lado do Luna Sea, o Kuroyume é uma das bandas que mais influenciaram outras bandas que viriam a seguir, como Dir en Grey, The Gazette, Phantasmagoria, Due’le quartz, Vidoll, e até mesmo bandas não visuais, como o Galneryus. Kyo, vocalista do Dir en grey, chegou inclusive a trabalhar como roadie do Kuroyume, antes da fama.
Malice Mizer
No final dos anos 90, o Visual Kei perde um pouco de sua força no Japão com o fim do X-Japan e do Luna Sea, a morte de hide e o hiatus do L’arc~en~ciel.
Psygai
O J-Rock e o Visual Kei começam a ganhar força no ocidente nessa época, através de trilhas sonoras de anime e divulgações de fã para fã.
Inspiradas no Visual Kei, diversas bandas surgem por todos os cantos do mundo, inclusive no Brasil, com visual e sonoridade próxima das bandas orientais, e letras cantadas em japonês, como a banda carioca Psygai, uma das primeiras a surgir no país.
BLOOD
Então, no início dos anos 2000, bandas como Moi dix Moix, BLOOD, D’espairsRay, Nightmare, Kagrra, Onmyouza, Kagerou, DuelJewel, DIO, Ayabie e The Gazette, começaram a investir no público ocidental, realizando seus primeiros shows na Europa. A partir daí, também surgem selos para distribuição de bandas japonesas pelo Ocidente, como a Gan-Shin Records e a CLJ Records, na Alemanha.
DuelJewel
Após conquistarem a Europa, o próximo passo seria a América, e a primeira banda a se apresentar nos Estados Unidos foi o DuelJewel, realizando um show em Houston no ano de 2002.
Dir en Grey
As bandas japonesas, então, começam a ganhar a atenção de grandes festivais pelo mundo, que contam com participações de bandas como o MUCC, Dir en Grey, Moi Dix Mois, D’espairsRay e Kagerou em tradicionais festivais na Europa, como o Wacken Open Air, Rock am Ring e Wave Gothic Treffen, além dos grandes festivais em que apenas bandas japonesas se apresentavam.
Charlotte
Foi então que a idéia dos festivais chegou aos Estados Unidos com o J-Rock Revolution, evento promovido por Yoshiki, baterista e pianista do X-Japan. O festival, que aconteceu em Los Angeles, durou dois dias, com shows de MUCC, Kagrra,, DuelJewel, Vidoll, Miyavi, Girugamesh, D’espairsRay, Alice Nine e Merry.
Mais uma vez, o Visual Kei se expande, atingindo a América do Sul. Em Novembro de 2007, a banda japonesa Charlotte se apresenta no Brasil pela primeira vez, com shows em São Paulo e no Rio de Janeiro. O show, que originalmente ocorreria em Agosto, mas foi cancelado por motivos até hoje não muito esclarecidos, foi o primeiro passo para colocar o Brasil na rota dos shows internacionais de bandas japonesas, rota essa que seria seguida mais tarde por nomes como Miyavi, Toshi With T-Earth, AnCafe, Kagrra, etc.
Visual Kei e suas vertentes
O Visual Kei pode ser considerado um movimento tanto musical quanto visual, porém, isso não significa que as bandas visuais sigam o mesmo padrão. Dentro do Visual Kei existem diversos sub-gêneros que classificam as bandas de acordo com seu visual, sonoridade, ou até mesmo localidade. Esses sub-gêneros surgiram na década de 90 e são divididos em: Kotevi Kei (que também se divide em outros 2 sub-gêneros, o Shiro Kei e o Kuro Kei), Kurofuku Kei, Soft Visual Kei, Oshare Kei, Nagoya Kei, Koteosa Kei, Iryou Kei, Angura Kei e Eroguro Kei.
L'arc~en~ciel
Bem, termino a coluna de hoje por aqui, espero que tenham gostado. Nas próximas semanas falarei um pouco mais sobre cada vertente do Visual Kei. Na semana que vem, será a vez do Kotevi Kei. Muito obrigado a todos que leram e até a próxima.
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