Olá queridos leitores,
Esta coluna estará encerrando a série analítica sobre a arte tão querida por nós, a dos mangás e animes. Se você não conferiu as duas primeiras partes, pode fazer isso clicando aqui para a primeira parte e aqui para a segunda parte.
ERRATA:
Na minha última coluna, eu tinha dito que a denominação “superflat” foi dada por especialistas estadunidenses, mas na verdade esta denominação foi dada em 2001 após a primeira exposição feita sobre essa arte, realizada nos EUA.
Superflat, a revolta da arte japonesa contra si mesma.
Mas afinal, o que é o “superflat” (super achatado)?
Como vimos nas colunas anteriores, boa parte dos animes se desviaram de sua essência original, muito deles se voltando para somente a violência e a sexualidade explícita e, em alguns casos, grotescas, esquecendo do que realmente importava para Tezuka: um roteiro e traços bem mais trabalhados.
O Superflat é a crítica a tudo isso! Mas não se esquecendo de sua essência: animes e mangás. Não adiantava criticar apenas, teria que de alguma maneira chocar o público para a idéia se valer. E nada mais eficiente do que usar o próprio objeto em questão.
Takashi Murakami, artista japonês, foi o primeiro a começar as suas críticas sobre esta arte, mostrando através de mangás, animes, pinturas e esculturas até que ponto a arte pós-guerra japonesa se degradou tanto para conquistar mercados tanto internos e externos. Takashi Murakami foi o líder da exposição chamada “superflat” em 2001, que impressionou o público com sua caricatura da subcultura japonesa.
Takashi Murakami, criador do Superflat
Um dos pontos que ele mais satirizou foi o lolicon. Lolicon é uma abreviatura de lolita complex, ou seja, complexo de lolita em inglês. A palavra é usada no Japão para pedofilia ou efebofilia (prática sexual por homens e menores com faixa etária entre 10 e 16 anos). Fora do Japão, geralmente é usada quando se refere a animes ou mangás que retratam meninas menores de idade (de 5 a 17 anos) em situações sexuais ou de nudez.
As leis japonesas consideram que mangás e animes sobre lolicon não são ilegais desde que crianças de verdade não sejam empregadas na sua produção, permitindo o surgimento de um grande mercado para esse tipo de produto. Também existem na sociedade japonesa outras formas de exploração infantil que seriam ilegais no Ocidente, como o enjo kosai, e de certa forma boa parte do mercado japonês de pornografia explora o gosto pela juventude. As leis mexicanas também permitem o lolicon.
Entretanto, a subcultura lolicon já foi acusada de encorajar a prostituição infantil, mas defensores do lolicon dizem que ele não afeta negativamente as crianças e até desestimula pedófilos a procurar crianças reais.
Existem também no Japão outras espécies de subculturas como, por exemplo, o Shotacon (onde um adulto do sexo masculino sente-se atraído por um garoto mais novo.) e, pasmem senhores, o Toddlercon (é um tipo de mangá/anime hentai que envolve bebês ou crianças de 0 a 5 anos em atos sexuais, nudez ou de duplo sentido. Geralmente são feitos a partir de uma história onde a mãe ou o pai deixa o bebê com um babysitter e ele é abusado sexualmente.)
O Superflat foi criado para não deixar que essas subculturas e perversões sexuais da sociedade japonesa invadam totalmente os animes e tragam ao publico em geral um constrangimento ao se deparar com tais movimentos artísticos degradantes e propulsores dos crimes sexuais mais hediondos que existem na humanidade.
O anime não veio para isso! Ele veio para mostrar como a cultura japonesa é rica de filosofia e ensinamentos valiosos, tanto para os orientais como para os ocidentais, sem distinguir sexo, cor, idade, religião e cultura!
Como o Superflat trata de assuntos adultos, eu achei melhor não publicar fotos e vídeos diretos sobre o assunto, pois são impróprios para menores de idade, mas deixo aqui duas coisas: um comercial feito pelo Takashi Murakami para uma Joalheria, intitulado “Superflat Monogram” (Monograma Superflat) que pode ser visto aqui, ou assista os animes dos artistas influenciados pelo Takashi Murakami, como o Hideaki Anno (Evangelion) e Shinichi Watanabe (Excel Saga) e de preferência assistam os OVAs do anime, o “PuniPuni Poemi” que é o exemplo mais explícito do Superflat em um anime que eu já vi! Outra dica é procurar nos sites de busca imagens sobre a exposição denominada “SuperFlat”, feita em 2001 nos EUA e liderada por Takashi Murakami.
Conclusão
O Superflat é uma vanguarda artística criada após o movimento pós-modernista japonês com dois intuitos: protestar contra a invasão da exploração audiovisual, ou só mesmo visual, da violência e sexualidade e também achatar a subcultura japonesa dos animes, afim de que elas não venham a eclodir no público em massa.
Conclusão final da série
O Anime e mangá não precisam ser politicamente corretos, o que precisam é de um público mais exigente no tocante à qualidade de estórias e roteiros para alçar públicos-alvos aquém do universo otaku. A arte dos animes e mangás, não só no Brasil como no mundo, vem ganhando adeptos de todas as idades e classes sociais, e com o mesmo cuidado que um especialista tem com o que é oferecido de alimento saudável e nutritivo, a população é que deve analisar se o que você está ingerindo é saudável tanto fisicamente como mentalmente a você.
Você é aquilo que você assiste! Então cuidado na hora de consumir um anime ou mangá: será que ele está adicionando cultura e diversão a você ou está “estuprando” sua cabeça com porcarias grotescas? Lembre-se que seu estado de espírito afeta tanto o seu lado social, como relacionamentos diários com pessoas da sociedade que gostam de anime ou não, quanto até mesmo no lado físico como, por exemplo, trazendo danos no sistema nervoso e imunológico (exagero? Passe três dias diretos lendo mangás hentai e jogando “Manhunt 2”!)
Espero que todos vocês tenham gostado dessa série de colunas postadas aqui, no site da Rádio Animix! Por favor, continue acompanhando as próximas publicações e não deixe de deixar sua observação abaixo no campo de comentários, elas são muito importantes para mim porque é com elas que eu me norteio na hora de escrever uma coluna!
Até a próxima!!!
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